quarta-feira, 27 de fevereiro de 2008

Porque todo mundo sabe

Os móveis mudaram de lugar, mas ela continua deitada pensando em tudo que a cerca, que a confunde, que a faz consigo mesma acabar. A estação está quase mudando, a geada, o frio na espinha. Já escureceu e nada aconteceu. Ela pensa com cartolas coloridas, com brasa esfriando, com a música tocando. Um inverno, dois verões, e lá está ela no canto do quarto defasado.
Ela tem tanto a fazer, e todo mundo sabe. Ela tem um mundo pela frente, e todo mundo sabe. Ela tem a vida em suas mãos sujas de cinza, em suas entranhas ardidas, em seu pensamento contrário. E todo mundo sabe,

menos ela.

Um comentário:

João Malossi disse...

É bom ter pensamentos contrários.
Às vezes, os errados são os outros :D