terça-feira, 19 de fevereiro de 2008

Out

Triturando as emoções, como me desapego. E não gosto, e gosto, e não sei. Acho que devemos caminhar pelo bairro, olhar as estrelas que caem fora. Mas eu conheço um amigo que de tarde é lobisomem, entra no trem, toma seu café, tragueia seu cigarro e vai para a festa desconhecida. Juro que sim. Te amo tanto de manhã, de noite meu coração nem existe mais. Hoje o céu está tangerina com amora com pedaços flutuantes de algo confuso, como o que sinto de manhã misturado à complicação de várias vidas. Me dizem para fazer isso, ou àquilo, eu desconheço: um abraço no meio da multidão perdida feito sonho de algodão destilado. Como eu queria catalogar a mente, ser como meu amigo, sair da multidão sem medo de acabar, de decepcionar. Mas o que sinto de manhã, de noite não existe. O céu pendurado sobre mim, as estrelas caindo bairro afora, os trompetes da música cercando, pulsando. 1, 2, 3... o baterista! O mundo caindo, eu escrevendo, os privilegiados sentindo. Tu nasceu dentro de uma rua e morreu na outra. Eu vi tudo. Juro que sim. Fui até no funeral, e não seja idiota. Espere o tempo se acalmar, os ventos de decisão, a chuva de desculpas, eu no caixão.

Um comentário:

Laís Romero disse...

é muito muito: assim proparoxítono! esfuziante! ...