50 anos daqui para frente, no espelho, estranhei-me.
Agarrei as cinzas do chão e
plantei meus pés na terra
na minha terra
na minha canção
na numeração dos tons
no choro da mãe
enquanto também choro
nos meus órgãos
no meu coração
nas minhas escolhas
no escoamento da água salgada interior
no furo doído da pele
enquanto apertam-me por dentro
enquanto estranho-me
e agarro tudo:
até plantar-me definitivamente.
sábado, 29 de março de 2008
terça-feira, 25 de março de 2008
CHORANDO DENTRO
dos meus sonhos em pó
do meu pensamento líbido
mergulhando em álcool etílico
de noite boêmia de vida
de vida boêmia de noite
canta o cão, ladra o homem
chora, se acaba sem me conhecer.
do giro do mundo
da ópera neurótica de mim
da boca esmiuçada
bebe o líquido
cai na noite -
do dia do sonho do pó do homem
que nunca foi.
do meu pensamento líbido
mergulhando em álcool etílico
de noite boêmia de vida
de vida boêmia de noite
canta o cão, ladra o homem
chora, se acaba sem me conhecer.
do giro do mundo
da ópera neurótica de mim
da boca esmiuçada
bebe o líquido
cai na noite -
do dia do sonho do pó do homem
que nunca foi.
sábado, 22 de março de 2008
Ou permaneço, ou me esqueço ou...
Bem-vindos ao meu mundo, onde o sol está se abrindo, onde não há verdadeiras falseações, onde as estrelas são confundidas com a lua. Bem-vindos à nossa hipocrisia - selva de ilusão, penhasco de mentira - onde o sol está se apagando, onde os valores são confundidos com os livros do fim da estante, onde a falsa verdade é persistente e constante.
Bem-vindos ao caralho.
Bem-vindos ao caralho.
sexta-feira, 21 de março de 2008
Eu disse,
não me páre se estou indo muito rápido.
me páre se estou indo muito rápido.
Estraçalhei a tua lógica.
Estraçalhei a minha.
Estraçaralhei o mundo,
inclusive a palavra estraçalhar.
me páre se estou indo muito rápido.
Estraçalhei a tua lógica.
Estraçalhei a minha.
Estraçaralhei o mundo,
inclusive a palavra estraçalhar.
terça-feira, 18 de março de 2008
Tão depressa?
Pedirei às notas ainda desequilibradas atravessando a corda do picadeiro interiormente distorcidas. No centro, há alguém brincando de marionetes para a platéia vazia de pessoas, mas com cada um dos seus neurônios sentados de pernas cruzadas rindo ou discordando. Um espelho no teto azul, e - olha eu! Sentada feito criança, de cartola preta e bonecos na mão. A lona cai em cima devagarinho, a platéia me diz para parar com isso, sair dali, ir comprar pipocas. Mas ele esquece: o egocentrismo é maior. Posso ver o fim - mesmo estando por debaixo dos panos - destroços de um picadeiro em cima do orgulho. Só resta a lona azul marinho, feito o céu de hoje. Cada estrela parece um peixe, entende?
domingo, 16 de março de 2008
Conversa entre uma gota de sangue e uma de alma
Pergunta:
- Por que você faz isso?
- Pois não.
- Eu queria entender...
- Pois eu também. Tudo culpa sua.
- O silêncio arde.
- A verdade também.
- Até mais.
- Sempre.
- Por que você faz isso?
- Pois não.
- Eu queria entender...
- Pois eu também. Tudo culpa sua.
- O silêncio arde.
- A verdade também.
- Até mais.
- Sempre.
sexta-feira, 14 de março de 2008
Pizza fria+coca
Como eu gosto de estar assim, sem pensar demais, sem me acabar demais... só um pouco. Meu teatro da vida, minha vida entrou numa peça, meus sonhos viraram discografias... eu um livro.
Tornei a página, dentro do armário enrustido, dentro dos pensamentos engrandecidos, dentro do copo desenhado. Por mim seria todo dia assim, mas ninguém deixa e decepções para os outros não quero. Portanto, dia sim dia não, todos os dias na verdade, esse eufemismo barato traço sem dó nem piedade, sem medo de me acabar (nem que for um pouco). Encontrei ele no viaduto, na sala de espera da viola, na rua cheia de gente infantil. Encontrei-o dentro de mim, numa janela internáutica, numa vontade sem fim. E espero, a todo momento, uma palavra se quer, um sorriso distinto... num sábado à noite vazio, na rua, na minha peça inacabada e esboçada - sendo um só monólogo - por uma pessoa que gosta de estar assim.
Tornei a página, dentro do armário enrustido, dentro dos pensamentos engrandecidos, dentro do copo desenhado. Por mim seria todo dia assim, mas ninguém deixa e decepções para os outros não quero. Portanto, dia sim dia não, todos os dias na verdade, esse eufemismo barato traço sem dó nem piedade, sem medo de me acabar (nem que for um pouco). Encontrei ele no viaduto, na sala de espera da viola, na rua cheia de gente infantil. Encontrei-o dentro de mim, numa janela internáutica, numa vontade sem fim. E espero, a todo momento, uma palavra se quer, um sorriso distinto... num sábado à noite vazio, na rua, na minha peça inacabada e esboçada - sendo um só monólogo - por uma pessoa que gosta de estar assim.
quarta-feira, 12 de março de 2008
Aqui vamos nós
Deixe tuas pálpebras fecharem, tua mente te puxar para trás, tua alma transcender sobre a sala abafada, esses problemas contínuos, essa superficialidade aparente. Não tem graça. Deixe teu corpo cansado e sonolento desaparecer, tua boca silenciar e tudo acontecer... enquanto o mundo roda vagoroso para ti, corre para mim: tu queres um tempo do ao redor.
Continua não tendo graça.
Continua não tendo graça.
sábado, 8 de março de 2008
1.5
Caminhando por aquela rua glamurosa, uma conversa: sobre conversíveis amarelos que vieram de não sei daonde. E eu querendo só um livro novo.
E gente passando fome.
E gente passando fome.
domingo, 2 de março de 2008
2 min
Vi o céu verde por 2 minutos congelados. Emudeci o coração, ri do sistema, ri de mim mesma. Assoprei, descongelei e - a chuva! O céu volta a ser cinzento parecendo leite derramado em chão de cozinha. E pisca para mim, e me canta uma canção. As gotas caem desoladas feito a névoa que as cerca, feito minha mente acabada, feito tudo se direcionando ao fim do homem. E o céu continua ali, atrás da janela, cobrindo o mundo cansado, suado, esbranquiçado. Mas os minutos se vão: eu os como feito doce. Entram-me como a canção calada, lá do céu, piscando para mim.
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