sábado, 29 de março de 2008

Minha mãe chora no quarto, eu rio no meu

50 anos daqui para frente, no espelho, estranhei-me.
Agarrei as cinzas do chão e
plantei meus pés na terra
na minha terra
na minha canção
na numeração dos tons
no choro da mãe
enquanto também choro
nos meus órgãos
no meu coração
nas minhas escolhas
no escoamento da água salgada interior
no furo doído da pele
enquanto apertam-me por dentro
enquanto estranho-me
e agarro tudo:
até plantar-me definitivamente.

2 comentários:

Oi disse...

Eu nunca comento aqui mas eu sempre leio.

Tamara, disse...

Até plantar-me definitivamente.