domingo, 27 de abril de 2008

Cheguei aqui primeiro

Tuas ilusões são mais fáceis que viver.
Tua vivência é mais fácil que tu.
Tua psicanálise diz:
A noite nem pode ser tão legal, a noite pode te mergulhar no atrás e depois,
a noite pode te dar dor de cabeça... e cerveja barata.
Disse então sozinha: deixe-me, pois ele é um gênio. Canta coisas que matam a vivência..
depois aparecem nas constelações.
depois aparecem nas calçadas.
depois aparecem em ti,
E depois tu dizes que tuas ilusões são mais fáceis que viver.

sábado, 19 de abril de 2008

Hortaliças

No meio da noite eu fico imaginando aquelas coisas

transbordando pensamentos

num saquinho de biscoitos verdes

- Como se todo momento fosse um só.

No meio do dia eu fico pretendendo outras coisas

estudando Bandeira

numa obrigação gostosa

- Como se minha garganta fosse uma só.

Mas então misturo tudo,

invento uma história para ser feliz a quem não sei,

e torço o momento num nó.

terça-feira, 15 de abril de 2008

Terra de Mim

Porque logo após o alvorecer, os soldados me invadem. Então, me enrolo numa coberta floreada de lã de ovelha, assisto o tempo pela janela, enquanto o frescor de limão engloba minhas glândulas maxilares, enquanto minha cabeça arde feito limão sem frescor. Digo pro mundo parar, digo pra mim mesma me olhar. (Marchando, direita, esquerda). Mas que medo. Os meus contrastes numa feira de móveis usados, os teus num vinil quebrado no canto do quarto. (Direita)
Agora a melhor parte: por trás com uma faca e várias armas. E eu tipo Gandhi.
Grande final: (Vácuo).

domingo, 13 de abril de 2008

Nhac

A imensidão comeu a insanidade.
A razão a incerteza.
Os rabiscos pairam na face.
O medo desaba do céu.
O homem aponta para aquilo.
Aquilo ensurdece o cego.
O cego cai da lua em cima do homem (baque)
O homem come o mundo,
o homem se come (nhac).
O mundo desce aos céus.
Os céus se recortam em 4 dimensões e inferem que não existem.
O que restou?
O NHAC.

sábado, 12 de abril de 2008

Garrafa de cana

Quis me vomitar, odiando a alma, só que um imprevisto aconteceu:
meu nariz sangrou feito chafariz
o estilhaço na escada foi alto
o sonho de meretriz
minha conotação de vidro caiu
o grito do gato infeliz.

Me diz!
Me diz!
Que veia é essa?

segunda-feira, 7 de abril de 2008

Tudo que sei é que

vai chover bastante de novo, fiz um corte no indicador abrindo uma lata de abacaxi, o sapo-peso atrás da porta do meu quarto não pára de encarar, eles vão realmente fazendo telhados, as coisas não estão naturalmente azuis, o perdão também cansa de perdoar, não sou um shake árabe de forma alguma, essa música é realmente muito boa, sufoquei a nostalgia o fim de semana inteirinho, cansei mais do que o perdão e a única coisa que consegui estraçalhar até agora foi meu dedo.
O QUE TU QUÉ AQUI SE EU TAMBÉM TO PERDIDA?
te manda pro Woodstock.

quarta-feira, 2 de abril de 2008

Sobre mim escondido sempre

o céu estava baunilha com sorvete de melão e montinhos sinuosos de chantilli, COMO se nevasse num campo de trigo. mas, num PISCAR, virou um diNossauro azulado com UM rabo amarelo de resquícios. e então os gatos gritaram. CAMINHei tão longe, nem encOStei no trigo, nEM SENTI baunilha ou neve. oRa correm ora assustam-me ora O SANGUE cai entre meus dedos para depois eu desmaio, eu acordo, eu vOu trabalhar. que MEDO: que medo. que Aflição: que AFLIÇÃO. quase tremendo quis fugir DE TUDO, ir embora sem Explicação, me atirar na cauda DO DINOSSAURO. três dedos numa canção, eu TÃO SUBJETIVa, montando pedaços dO dia, Enquanto os sinos tocaM, toco, enquanto: eu desMaIo, eu durMo, eu não acordo.