sexta-feira, 16 de maio de 2008

Confesso: vida roubada

Um príncipio de altivez de inconsciência de estórias miraboladas, e, então, no silêncio do meu cérebro, na sonolência do dia e insolência de mim, matei meus pais.
Foi triste.
Foi ardido.
Foi que na madrugada passou um trem em minha janela, caiu um avião em meu teto, bateu um carro nos dois.
Um princípio de duas maneiras, de várias hipóteses, mas um princípio comum para mim....
Foi assustador.
Foi resultado de alguém sem coração.
Foi que no pôr do sol eu estava numa sacada olhando o mar, rolando lágrimas que sincronizavam com as ondas, pensando mais nele no que nos mortos.
Foi que meus amores incompreendidos, repulsivos e extasiantes tomaram conta do meu nada no meu tudo.
Foi que meu coração se atirou na água salgada da minha frente e dos meus olhos.
Foi estranho.
Foi frio.
Foi que então minha tia grita de dentro: quanta insolência!
Convide-o para o jantar.
Olho para o horizonte: o pôr do sol nem existe mais, e meu coração permanece flutuando sobre as águas de vida. Amargas e ardidas.
Foi que derreteu.

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