Deixa-me te tocar com alguns sussurros entre linhas, entre sonhos escritos com tinta de mim, entre o inesperado esperado destino que nos concebe e nos faz delirar. Delírios de amor, de pecados, de tudo que é sujo, profano, belo, numa mistura sem coesão de libélulas e rosas verdes, esmagadas por lágrimas universais desatinadas. Deixa-me te tocar com minha mente humana, cansada e deliberada, entupida de sentimentos e percepções inexplicáveis, incansáveis. No entardecer de vida, quanta coisa acontece, os momentos mais estupendos que alcançam a alma, um pingo de luz borrado com o sol do agora. Num suspiro no ar a sensação do ócio, dos passos sozinhos mascarados, da deprimente cena das relações, do passado colecionado, na mais profunda realidade de ser.
Cuspindo em mim mesma, deixa eu te tocar. Deixa eu te estragar, como dizem, te virar, instigar a inspiração e te atirar na sarjeta da vida, no nada obsoleto senso de viver, deixa.
Os suspiros, o entardecer, a sopa de libélulas com rosas verdes formam o veneno que me injeto e que uso para te maltratar, pois deixa eu te injetar junto, com teus rancores, tua inocência perdida, tua mania de enciclopediar o mundo.
Deixa eu te tocar, te sujar de colorido, te mostrar outro lado melancólico, estranho, deixa eu te sujar com vida. Vai, deixa. Deixa eu te tocar.
Mas no fim, tu me tocas mais, me deixas triste ao redor de estrelas caídas, pois quem te toca é tu.
sábado, 17 de janeiro de 2009
sexta-feira, 9 de janeiro de 2009
Alma Alma
Procuro a exata/infinita combinação das palavras palavras para uma poesia poesia que entupirá com alma um coração coração.
quinta-feira, 8 de janeiro de 2009
O Cobrador
O cobrador se remexe inquieto e inere sua alma a um banco surrado, com o olhar distante de desesperança. O cobrador jovem, tremendo os passes na mão, ali porque nem sabe, num ônibus imundo, infestado de parasitas assíndotos. O cobrador assistindo sua vida se resumir no trajeto da cidade, nos mesmos lugares, na mesma putaria que transformaram os dias.
CREC, passa um, passa outro, segurando sacolas, guardando a perdição das gerações, e o cobrador observando a eterna procura de anagramas em lágrimas.
CREC, passa um, passa outro, segurando sacolas, guardando a perdição das gerações, e o cobrador observando a eterna procura de anagramas em lágrimas.
segunda-feira, 5 de janeiro de 2009
...
E agora eu vou, levada por uma lágrima confusa que desaba na ponta do meu pé.
Os meus disco estão em posição estratégica, minha parede estática com lembranças de tudo, eu saindo por aquela porta desejada, pintada à mão com sangue cardíaco.
Os meus disco estão em posição estratégica, minha parede estática com lembranças de tudo, eu saindo por aquela porta desejada, pintada à mão com sangue cardíaco.
sexta-feira, 2 de janeiro de 2009
Vêm (elipse)
Saindo pela escada de incêndio, exagerando qualquer palpitação, fugindo de todo esse jazz maluco que martela meus pensamentos, sentindo-me, perna com perna, de mim e só. Estava, pois, tão indecisa no amanhã do ontem, enquanto tão cativante em algum canto do dia parado, cantando com B.B King e guardando todo o dinheiro para as crianças, notando que todos esses ritmos alertam uma opção não optativa a cada segundo de hipérboles nas minhas próprias ilusões, que não consegui chorar.
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