domingo, 23 de maio de 2010
Eu não me sinto a vontade com o mar...
De frente para aquele azul que brilha logo cedo, que cria em sua barra uma bainha dourada de vísceras entrançadas, que me faz lembrar, junto com um céu degrade, meus amores naufragados; afundados junto com toda a quantidade de água. E não me sinto a vontade, também, talvez mais, por ele correr em sintonia e tão apático de beleza, tão salgado com cheiro de lágrima, sozinho, que parece um só, um todo em comum aos meus olhos; sinto-me fraca frente ao mar, sinto-me unida e de um sentimento retrancado que me faz querer desistir, sentar ali, e ficar acariciando aquela imensa fera azul.
sábado, 15 de maio de 2010
Uma tarde romã
Uma tarde romã, com amor de céu, os músculos retraem, os olhos ardidos, dois no baile do universo; o baile que conspira, em ritmo de valsa embaixo, em ritmo apertado dentro, de um lado a outro, virando película trágica de telão ao ar livre; numa noite de algum dia. Qualquer lugar, que virá, o ritmo pulsará correndo com o sangue, o amargo do caroço, tão belo e chocante, de acordar com a pele escorrendo e um beijo estalado; e tudo naquela projeção de corpos entrelaçados, de uma formiga carregando outra no muro, de querer verter o impossível, de não haver tempo para começar a amar: porque os sorrisos abafam, o romã acaba e o baile segue em três compassos doídos.
sábado, 8 de maio de 2010
O gato cor de chiclete mordeu o pai de toda a cor e chorou leite morno. A mãe do gato gastou as fichas de vida que sobraram da outra noite. A outra esquina disse que não há resposta errada e que todo coração soberbo pode virar outono.
Um sussuro plantado do lado da cama silabou que não é o tempo ao teu lado; é a última ficha se indo - e eu chorei sangue frio.
Um sussuro plantado do lado da cama silabou que não é o tempo ao teu lado; é a última ficha se indo - e eu chorei sangue frio.
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