sábado, 15 de maio de 2010
Uma tarde romã
Uma tarde romã, com amor de céu, os músculos retraem, os olhos ardidos, dois no baile do universo; o baile que conspira, em ritmo de valsa embaixo, em ritmo apertado dentro, de um lado a outro, virando película trágica de telão ao ar livre; numa noite de algum dia. Qualquer lugar, que virá, o ritmo pulsará correndo com o sangue, o amargo do caroço, tão belo e chocante, de acordar com a pele escorrendo e um beijo estalado; e tudo naquela projeção de corpos entrelaçados, de uma formiga carregando outra no muro, de querer verter o impossível, de não haver tempo para começar a amar: porque os sorrisos abafam, o romã acaba e o baile segue em três compassos doídos.
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