domingo, 10 de outubro de 2010


A sensação momentânea de momentanear surgiu tão visível nas minhas entranhas naquela rua onde eu procurava a encenação da continuidade, enquanto Picasso corria e o pequeno burguesinho se esparramava ao meu redor.


Pela primeira vez nas entranhas a importância de um momento. Picasso me olhou de um jeito estranho no sonho - e não porque ele era a própria pintura - mas porque seus tons pastéis de uva inundavam sua feição. Pois fez-se notável o sumo do amor. Então ele dançou ciranda, pintou o muro e deu risada. Cérebro insano. O momento partiu na raíz de meus pés de uma maneira extremamente óbvia. Picasso ia ler meu poema, mas saiu correndo pela porta de saída. Percorrer todo aquele caminho para encenar o encontro. Ele se jogou num colchao imundo e achou que era um picolé. Derrame de vida. O momento vivamente derreteu. Picasso virou um monstrinho fugindo pelo centro de Florianópolis. Eu não consegui encontrar na rua desalinhada o desalinho de continuar. Apenas um pequeno burguesinho tão culto por saber se portar, como amar, que mordia quase toda não-eloquência de ser, era isso que ele era. Derrame de esperma.

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