BORBULHA – ele berrava aos pulos de pés descalços em meio a uma fumaça escaldante – vamos, borbulha , borbulha – e seus braços se abriam e seu rosto se iluminava; um cristo salvador de vulcão imenso, enrustido por fuligem; um abominável homem do fogo. Pisando nas pedras ardentes, com os dedos arqueados, ele fazia seu peito inflar, suas têmporas saltarem: BORBULHA PRA MIM!
O som arrebatava o ar derramado; enrolava-se incandescente, todos os gritos, todos os pulos, todo o sangue, pulsando na mais perfeita eloqüência derretida, fluindo como as lavas, com o ar suado, com o sonho de morar ao lado de um vulcão; tipo tigre de savana, numa ilha seca –e todas aquelas rochas e toda aquela lava. Temendo a emulsão dos sentidos de não sentir, de noite fincava seus pés imundos nas rochas que o contornavam – a si mesmo e ao vulcão. Observando aquele organismo deslizar em dourado da mais intensa ordem, com o nariz apontado para baixo, de quando em quando pulando aos berros, ou rindo ao gozo, ou mergulhando ao ínfimo, ele explodia junto. As noites mais brilhantes que poderia querer.
A cara na chama, nado sincronizado, quase não ser. Poder ser pássaro-peixe de fogo que não se cansa, flamejando por ai; era isso: se pendurar, se balançar, gritar: BORBULHA! ISSO SE CHAMA ORGASMO MUSICAL!
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