Pois sinto saudades de olhar para o céu e sentir aquela sensação; e não que sensação me falte neste exato momento, mas aquelas que se vão deixam um perfume estranho no ar. É como rosas estaladas por um amor sem fim, é como um pássaro cortando o silencio de uma cidade à noite, bem devagarinho, é como o arrepio que me entrança pela nuca e que me faz te olhar, é como tudo que eu vejo agora e se vai. Então, às vezes, eu acredito mais na lua do que no sol, porque me traz essa ausência-que-sente das sensações que se sentiram, todas elas diferentes uma das outras, inclusive a que sinto agora. Eu brilho nos teus olhos, nunca tão anoitecida, negando a minha própria beleza interna, mas tem aquelas sensações ao meu redor, e aquela ausência – que se foram tão rapidamente: como pode haver tamanha crueldade? Piscam todas as estrelas para mim, num balé dentro de um buquê próprio – o buquê de estrelas – e eu o ofereço pra ti, com o braço bem estendido e os lábios prontos.
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