quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

Vociferei para os turistas na minha cidade, enquanto os turistas que visitam meu corpo já estão cansados demais: que pouca vergonha é essa?

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

os pequenos detalhes

Ó avenida que não tem fim.

Com amor com tudo; correndo através da passarela. Realce as árvores tão tropicais que ao teu lado se descorrem, e cochicham em paz. O mangue late de tanta folha que geme - de repente a gente queimará. Sabe a Idade Média? A tão dês acalamada íssima, eles é que queimavam gente – quanta humanidade. Uns diabinhos assim rodeando o fogo, de um lado para o outro – olha o grande príncipe, olha nós anos depois. Vai todo mundo acabar assim: OLHA O MANGUE!

olha a fauna e flora que é de todo teu igual. silêncio - observando - que te balança - que pulsa junto; verde verde verde que explode. OLHA AO TEU REDOR.

E depois de olhar, deixa a imagem te escorrer pelo corpo e te fazer gemer junto com o resto.

com amor, com tudo, de realeza.


quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

in instint

Nós somos do novo mundo, meu deus. Quem diria, que realmente um novo tipo de gente fora criada. Sim, porque antes de gente eram os nativos com suas vergonhas amostra, balançando tudo daqui para ali. E depois, gente. Ah, nós, sendo essas novas gentes, quanta coincidência de falta de se saber o que acontece. Porquê? Oras, nossos artistas são belos e radiantes, enquanto os do velho mundo são pálidos com olheiras e/ou algum lugar. No nosso lado, tem gente que domina o resto; depois tem toda a questão do petróleo –e os outros que apóiam o Al Gore. Mas de qualquer maneira, a GANJA ainda não foi legalizada, e nós nos enfrentamos com mais sorrisos do que no velho mundo. É porque o calor que transcorre por entre o novo mundo – tanto de calor tropical afrodisíaco quanto de calor ser humano pele a pele riso a riso; é disso que falo - desse calor que irradia a energia de nossos artistas, de nosso dia-a-dia, que cai em pele de preto que dança e batuca, de preto que trabalha, que vive em barraco ou em casa de condomínio; essa nova gente que dá gosto de se falar – que escolheram a segunda opção, a segunda perspectiva – o bom. Porque tristeza já se tem demais, vo lhe dizê sinhazinha. E vô lhe dizê mais viu, que me dói o peito de saudade. Dá saudade de todos os espaços que eu não fui, dessas Américas que fazem rugir (da metade pra baixo, melhor ainda). É na pobreza que se entende alegria - que não tem ar condicionado que mate o calor – que se sente o calor; Que se mata a sede com mais sede de gozar. É assim que eu vejo – e que me admiro, porque essa nova gente tem muito a que ensinar. Pra nós de ver o céu mais azul, mulher. Essa gente cuja a briga não é tão antiga, que não se mata de varde – que mata para calar. Viver no silêncio mais um pouco.

É que pobreza é signo do amor – daquele verdadeiro. É menos padrão pra se copiar, porque pode-se até os ter, e muitos, daqueles que enlouquecem. Mas vão ser só a crença, porque experienciar aqueles padrões o dinheiro não consegue; então joga bola na lama meu bem. Corre pra pegar o outro ônibus, meu amor. Vai atrás do ladrãozinho ali, meu senhor. ABRAÇA TEU FILHO MORTO PELO VIZINHO BANDIDO, MINHA FLOR. NÃO CHORE POR VER TUA MÃE ESPANCADA, MEU GURI.

A palavra humildade deve ter uma semântica muito interessante. Eu queria saber grego e latim numa hora dessas. Parafrasear algum filósofo famoso, e prosseguir com a mais bela destreza de minha inteligência apostolada. E assim é que foi: nossas Américas que querem usar Lacoste enquanto o bueiro da esquina transborda com a primeira chuva do verão. Mas é assim que o contato com a chuva com o verão e com o esgoto fazem das manifestações de seu interior muito mais práxis, do que qualquer outrozinho que vivesse no ar condicionado, andando de carro para não se molhar e pisando em calçadas que esgoto é longe de transbordar – eles são tão lustrosos com ouro reluzente.

Pois bem, aqui estamos diante de uma situação. O mundo novo, o mundo velho, a legalização, o efeito estufa e o Movimento pela Desconstrução Moral do Ser Humano. Coloco em ponto de pauta o primeiro desabafo:

(SEU JOSÉ CORPO ESGUIO PELE FEIA CICATRIZ NA MAO DIREITA BIGODE PRETO CABELO RASO CALO NO DEDO DIREITO SORRISO DESDENTADO JOSÉ DA SILVA FONTES NOGUEIRA ASSUNÇÃO)

- Eu – chora – não – chora – eu – chora mais – sinto.

Vejamos a colocação do Seu José; mais uma vez, rebobina. Aí. A comunicação é a trapaça da humanidade, os conceitos se prendem e não querem desprender, e a consciência é atrativa demais, passamos a se limitar a ela. Seu José não fala. Ele muge. Ele sente mais, porque não fica tentando explicar com as palavras como chove, dentro de sua cabeça tão desmiolada, ele observa a chuva e sente os traços molhados caindo sobre as árvores. Ele mal sabe o que é hidrogênio; SEU JOSÉ SENTE - e muge.

- Vamos comer Seu José.

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

ouvindo o sotaque da madrugada senti cheiro que traz lembrança; tendenciosa por romantismo exagerado, deito-me num rio de flores e ali estática desmancho pétala por pétala...