Autodigestão. Disseram que o Brasil tinha que se comer, antropofagia em verde, amarelo e tupi, e o que aconteceu foi uma úlcera, uma flecha em um olho, uma lágrima noutro e um africano matando um boi. Disseram que a única coisa que ele tinha que fazer para viver era crescer, fazer faculdade e casar, e o que aconteceu foi que durante o trajeto, quase morreu. Disseram que, nas trevas, a cidade respirava o ar da liberdade, e o que aconteceu foi do rio que corre entre o tênue espaço do ar, da liberdade, da vaga do estacionamento e da falta de pulmões. Disseram que a medicina, que a ciência, que o homem moderno é tão moderno, e o que aconteceu foi que faltou o amor, sobrou a prepotência e ninguém percebeu que o coração pulsa sozinho.
Existem coisas inexplicáveis sobre as peles e as espinhas dos valorosos homens de pancada que se fazem rio afora. Escorrem variadas palavras feitas de sopa humana através da fome humana. Cria-se um mar de Misericórdia. Recria-se um ambiente de desacordo, onde as árvores gritam : acorda.
Assim foi o desgradual controle descontrolável do mundo.
As veias do seu José pulsam. E as tuas? Os peixes do Peri abstraem-se. E a água? Os olhos da gente humilde apagam. E os sonhos?
Alguém cuspiu sobre "O Amor por princípio e a Ordem por base; o Progresso por fim", depois gritou que comer, ah, só comer, não basta mais. Tem que saber digerir. Digestão.