domingo, 29 de maio de 2011

Eu amo tudo em ti

Eu amo tudo em ti. Eu amo sentir o ar que tu exalas. Eu amo sentir o ar. Eu amor sentir.

Eu amo sentir o ar que tu exalas quando passas por mim entre a multidão, e tuas mãos de artista, e teus cabelos arqueados, e teu corpo arrepiado, e tuas ideologias que sofrem práxis peculiar.

Eu amo o teu silêncio, com olhar ausente de querer estar aqui – essa atenção a vida que tens. Atenção: aqui e agora. É só estar vivo. Eu amo tuas calças de moletom cinza pintadas de qualquer jeito, do menino mimado que tenta se vencer. Das tuas drogas, do teu sorriso – da tua boca. Mas é mais do teu olhar. De ti mudo. Do ar que escorre ao teu redor – da tua alma. Eu amo tua alma. Eu imagino tua respiração perto da minha. Delicio-me. Minha pele sofre acessos; minha boca treme com vodka; meu corpo retrai - eu sinto e só – tudo em ti, tudo de ti.

Eu imagino teus arrepios na minha mão. Tua alma pintada em preto e branco com surtos coloridos, eu disse, surtos coloridos, me entornando numa paz confusa – numa paz longe de ser paz. Ás vezes na bobice da tarde eu me pergunto no que se configura, essa paz de amar, o próprio amor – diz que não é – essa sede por vida. De mim muda. Do ar que escorre ao meu redor – que retranca qualquer manifestação de ardor.

Eu faço o tempo passar e tudo se ajeitar

no maior descompasso que eu desejaria – eu me acostumo, eu choro, eu ouço Vinicius falar sobre o infinito.

Eu estou de dieta de identidade. Eu me perdi depois que te encontrei e me reencontrei depois que te encontrei e agora eu te acabo e me balanço e me observo e me persigo.O cheiro do teu cigarro grudou no meu cabelo. E eu, amo, o cheiro, do teu cigarro. Eu mudei minha marca por causa disso.

Eu te inspirei nos meus pulmões.

Eu te injetei até mudar a cor da minha pele. Agora eu sou outra. Atenção aqui e agora. Agora lembro eu respirando tua pele. Agora lembro de tudo isso que passou, e me penduro com as coisas que vem e que vão. Eu me estruturei de sacrifício para fora. Continuando a amar tudo em ti – todas as coisas aqui já tão citadas. E agora eu lembro, ah como eu lembro, como é algo maior do que a própria essência. Então eu continuo amando tudo em ti. Continuo amando tudo em ti, porque, um pouco de ti se tornou eu.

E eu, amo, tudo, em mim.